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27/01/2016
46% DOS BRASILEIROS NÃO CONTROLAM ORÇAMENTO


Muitos consumidores brasileiros não controlam o quanto gastam, não sabem quanto pagam de juros, não se planejam para imprevistos, desconhecem o valor de seus rendimentos mensais e ainda assumem ser pessoas desorganizadas financeiramente. De acordo com uma pesquisa realizada em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 45,8% dos entrevistados não realizam um controle sistemático do seu orçamento, sendo que 29,3% o fazem apenas "de cabeça" - ou seja, recorrem a um método pouco confiável para organizar suas finanças. Entre os entrevistados que utilizam algum método organizado para gerenciar seus recursos financeiros (53,9%), o mecanismo mais comum é o caderno de anotações, mencionado por 29,8% da amostra, seguido pela planilha (21,0%) e pelos aplicativos digitais (3,1%).
O levantamento mostra ainda que boa parte dos brasileiros reconhece a falta de organização para lidar com o próprio dinheiro. Menos da metade (48,1%) dos entrevistados ouvidos consideram-se pessoas organizadas financeiramente. Considerando uma escala de um a 10, a nota média que o brasileiro atribui para o seu próprio nível de educação financeira é de apenas 6,3.
- Como a falta de conhecimento sobre as próprias finanças é um problema crônico no Brasil, é importante incluir a educação financeira como tema na formação básica dos cidadãos. Controlar gastos, fazer um planejamento antes de ir às compras e evitar consumir por impulso são algumas atitudes simples que deveriam ser assimiladas desde criança - defende o educador financeiro do portal "Meu Bolso Feliz", José Vignoli.
A pesquisa mostra que o controle dos gastos extras e de itens que não são considerados de primeira necessidade acaba ficando para o segundo plano em detrimento dos gastos fundamentais. Despesas com supermercado e contas de água e luz (93,5%) e também os rendimentos (90,1%) são anotados ao menos uma vez por mês pela maioria absoluta dos entrevistados. No entanto, apenas 39,5% dos consumidores anotam semanalmente os gastos com lazer, alimentação fora de casa, serviços de estética, salão de beleza, roupas, sapatos e acessórios, por exemplo.
- A pesquisa comprova que muitos dos que dizem fazer um controle sistemático de seus gastos o fazem com uma frequência bastante aquém da adequada - explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
Não é a falta de conhecimento que impede o brasileiro de colocar a vida financeira em ordem. Os entrevistados demonstram ter conhecimentos mínimos sobre quais atitudes tomar para fazer o controle de suas finanças, mas acabam falhando na hora de colocar as ideias em prática. Disciplina para registrar os ganhos e gastos (26,3%), recordar das compras em dinheiro e que não constam no extrato bancário (19,4%) e falta de tempo (8,2%) são as principais dificuldades das quais o brasileiro mais se queixa na pesquisa. Não saber como fazer ou por onde começar são justificativas citadas apenas por 8,9% dos entrevistados.
- Não é fácil espantar a preguiça e manter a disciplina de anotar as inúmeras despesas do dia a dia, sem perder de vista o controle das compras parceladas e das aquisições não planejadas, mas tudo isso é importante a fim de equilibrar o orçamento mensal - garante Marcela.
Pesquisar preços antes de adquirir um produto (86,5%), juntar dinheiro para comprar algo à vista (77,0%), pechinchar (74,4%), mudar o local de compra por outro com preços melhores (69,5%), poupar ou investir (67,2%) e economizar com as despesas da casa (66,7%) são as práticas de educação financeira que os consumidores entrevistados mais consideram importantes e saudáveis no dia a dia.
No entanto, apesar da maior parte dos entrevistados atribuir alta importância a determinadas atitudes, a prática está longe de ser frequente na vida dos entrevistados. Apenas 51,1% dos brasileiros fazem pesquisa de preço antes de concretizar uma compra, 34,7% dos consumidores não têm o costume de pechinchar, apenas 24,0% têm o hábito de mudar o local de compra por outro com preços mais baratos e apenas dois em cada 10 (20,4%) possuem o costume de juntar dinheiro para comprar a vista.
Fonte: Monitor Mercantil

 

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